solidão
15 de dezembro de 2010 a 15 de janeiro de 2011
ana paula meura, camila göttems, gustavo slva, hamilton nascimeto, hannah beineke, justimiano arnoud neto, karen cerutti, marília má, patricia flores, silvia do amaral, tais fanfa, rodrigo núñes e antônio augusto bueno
O olhar de fora – a solitude
Me pego parada, sozinha, olhando a escada. Um turbilhão de curiosidades vem de lá de baixo. Penso em ir. Não consigo.
Existem peças que flutuam ao meu redor. Quando percebo onde estou, percebo também que elas olham fixamente em meus olhos. A curiosidade em vê-las de perto, em sabê-las é maior.
Esqueço a escada.
Caminho, lentamente, cuidadosamente em direção àquela instabilidade que me aflige, àquela fragilidade absoluta.
Tudo me parece solitário. Sinto-me solitária, a princípio, mas com o passar do longo período de 10 segundos, me dou conta de outra coisa. Eu e as peças somos uma única interferência. Não há como ser solitário ali dentro. Olho o conjunto. Percebo meu corpo. Sim, meu corpo. Ele faz parte daquele lugar mais que de outro lugar, naquele momento.
Tudo é frágil.
Tudo é leve.
Tudo, absolutamente, flutua.
Meu corpo flutua.
O piso e as paredes são brancos.
Cada pequeno objeto, um lugar que visito, calmamente.
Faz muitos graus lá fora. Não sei quantos. Está realmente muito quente.
Sinto-me sozinha. Só hoje. Eu, que sempre me senti cheia de coisas, de toda gente, sinto-me sozinha.
Vagando.
Tudo ainda flutua.
Lembro-me das torres que consomem as meninas quando maiores: o medo da solidão eterna, de olhar por entre janelas.
Depois de olhar a torre e me lembrar das antigas histórias, transito meu corpo sobre cada realidade, sobre cada indivíduo solitário e único, sobre cada solidão.
Me faz lembrar de que somos irremediavelmente sozinhos, mesmo que iguais, mesmo que de maneiras diferentes.
Me faz lembrar ainda de um artista espanhol[i] que dizia que a percepção requer o envolvimento. E me envolvi de tal maneira, sendo assim, que aquela escada do começo da história me fez percebê-la como parte integrante daquela exposição. Ali, quieta, sozinha. Assim como o coelho, como a torre, como o peixe, como o resta um, como o labirinto, a casa, o pino, o vestido, os quadradinhos, a cartola, a cabeça, o diário e a sereia.
Adriana Daccache
[i] Antoni Muntadas. Trabalho intitulado “Percepção requer envolvimento” executado em diversas cidades de diferentes países.
MAMILOS IN MEMORIUM
cerâmica, fotografia e utensílios
CARUSTO CAMARGO
abertura dia 6|11|2010 – sábado – das 19h às 22h
visitação até 26/11
encontro com o artista aos sábados a partir das 16h
[View with PicLens]
de fora para dentro
kelly wendt
abertura 28 de agosto | sábado | das 19h às 22h
visitação de 28/8 a 18/9/2010
De fora para dentro
Por Ana Zavadil
Kelly Wendt transporta para dentro da galeria o seu objeto de pesquisa – as casas de olhos cerrados – resgatadas pela fotografia através de celular. O corpo da artista funciona como caixa de ressonância entre o fora e o dentro quando propõe a troca: trazer as casas para dentro.
O seu sítio de atuação é a cidade de Pelotas que, em sua planaridade, sugere caminhadas extensas e no seu decorrer proporciona o encontro com muitas dessas casas, cujas portas e janelas estão cerradas por tijolos ou tapumes. Este fato faz com que elas percam a sua identidade e se transformem em corpos sem vida instaurando dualidades entre o escuro que habita o lado de dentro e o invisível do lado de fora.
Kelly investiga os meios de chamar a atenção para essas casas e lança mão de meios publicitários como banners, pôster, botons, outdoors, postais, mapas adesivados, materiais pertencentes à linguagem publicitária usada para seduzir o público. O seu processo criativo pretende abrir lacunas para novos olhares em relação ao abandono e produzir espaços de contágio que possam espalhar ecos sobre a sua ação de dar visibilidade às casas, resgatando a própria memória da cidade.
![Solidao[1]](http://www.jabutipe.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Solidao1-1024x511.jpg)







